Caravana de Palhaços no Saara

A Caravana Cromossomos no Saara foi realizada em novembro de 2014 pela Cia. Cromossomos e contou 249 apoiadores que contribuíram através de um site de financiamento coletivo. Durante dezoito dias, 11 palhaços e um documentarista visitaram quatro dos cinco acampamentos de refugiados saarauís, em Tindoulf, na Argélia.

 

Apadrinhados pela ONG Palhaços Sem Fronteiras e orientados pelo palhaço e diretor Esio Magalhaes, o grupo criou o espetáculo de variedades Somos Cromossomos. A pesquisa artística desta peça baseou-se na busca por um “humor sem fronteiras”, isto é, que pudesse comunicar e provocar o riso através da fisicalidade, independente de fronteiras territoriais, culturais e linguísticas, uma vez que o espetáculo se propunha a dialogar com o povo saarauí, um público muçulmano cujo idioma principal é o hassaniya, derivado do árabe clássico, embora muitos saarauís falassem também espanhol.

 

Cerca de 200 mil pessoas vivem há 40 anos refugiadas e separadas de suas terras e famílias que seguem no Saara Ocidental, atualmente dominado pelo Marrocos. Antiga colônia espanhola, o Saara Ocidental possui muitas riquezas, sobretudo minas de fosfato e uma zona pesqueira abundante, o que levou à disputa por seu território e à construção do segundo maior muro do mundo, com 2700 Km de comprimento, por parte do Marrocos, com o apoio da França e dos EUA e que divide o Saara Ocidental da Argélia, onde encontram-se os acampamentos.

 

Nos campos do deserto do Saara, o espetáculo foi apresentado para cerca de 5 mil pessoas. Realizamos também cortejos musicais com a população local e um workshop de iniciação ao palhaço com jovens alunos de uma escola de artes local. Durante a expedição, o espetáculo teve uma ótima receptividade do público, entre crianças, adolescentes e adultos, de modo que se estabeleceu um espaço de intercâmbio e humor sem fronteiras.

“O palhaço faz uma revolução onde quer que vá. Seja no hospital, na rua, no teatro. Ele entra em um local hostil e conflitante e revoluciona as relações. A alegria passa a ser potência de vida. Eu quero fazer esta revolução. Estamos num mundo enfermo. Eu quero mudar o mundo, sim! E querer mudar o mundo, não é ser o grande líder, mas, cada vez mais, olhar para seu entorno. Poder fazer da vida uma coisa boa. (...) O palhaço tem sua beleza a cada época, de acordo com a energia de seu tempo. Me vejo, mais para frente, um palhaço velho, mas que com seu nariz e sorriso, toca a mais trágica humanidade.”

Ésio Magalhães, orientador artístico da expedição Cromossomos no Saara

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Clownferência

Criação, direção e atuação:  Cia. Cromossomos

 

Duração: 90 minutos

 

Classificação etária: Livre

Uma clownferência reúne em torno de uma mesa cinco palhaços e um mediador-palhaço recém-chegados do deserto do Saara. Vestidos com os tradicionais trajes árabes, de forma dinâmica e bem humorada, compartilham com o público as experiências da expedição aos campos de refugiados saarauís, na Argélia. Enquanto preparam um delicioso chá árabe, dividem causos, reflexões e questionamentos que surgiram a partir do contato intercultural com este povo. Ao final, há uma roda de conversa com o público, com espaço para perguntas e respostas, caracterizando assim uma troca de experiências sobre o tema.

 

A clownferência surgiu como possibilidade de difundir a causa saarauí e alertar as pessoas sobre a situação dos refugiados, sejam eles do Saara Ocidental ou de qualquer outro lugar do mundo.

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